quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O que me move?

Sim, a essência de tudo, ao meu ver é a emoção. Mas não sei bem porque, não acho estranho as pessoas serem incapazes de sentir certas emoções (como compaixão, sede de justiça, amor ao próximo sem interesses, etc). Acho que me acostumei com a ideía de que o ser humano é muito limitado nessa área.
Mas nunca me acostumei com a total falta de capacidade do ser humano de compreender conceitos racionais e claros, praticamente matemáticos, como o fato de que os recursos naturais sejam limitados e finitos e que a eventual falta de água potável no planeta não poupará ninguém, rico ou pobre, hemisfério sul ou norte.
Ainda no campo material, parece ser incompreensível para a maioria das pessoas a ideia de que se alguém ganha dinheiro demais é porque alguém está ganhando de menos e que o lucro se concretiza tecnicamente através da exploração do trabalho alheio (e isso é ensinado em qualquer curso técnico de contabilidade ou faculdade de 3a linha).
Vai ver que as pessoas simplesmente tomaram isso como uma realidade incapaz de ser transformada e ponto final. Conveniente para caramba para quem está do lado em que sobra o dinheiro.
Depois que me tornei mãe, reflexões de outra ordem acharam seu lugar dentre as minhas antigas indignações e passaram a me provocar espanto, como o fato de algumas pessoas acreditarem ser possível entregar nas mãos de uma outra pessoa supostamente mais tecnicamente capacitada decisões importantes da sua vida, como o melhor tipo de parto para você e seu filho, se logo após seu nascimento esse bebê deve receber gotas de um colírio feito à base de nitrato de prata (a mesma substância que usamos para queimar verrugas, mas com outra formulação) para impedir a transmissão da gonorréia da mãe para o filho, mesmo que essa mãe já tenha sido testada contra a gonorréia (han?); se seu filho deve ser vacinado contra doenças já erradicadas no país como a Pólio, doença essa que há muitos anos só registra casos causados pela própria vacina, logo só é atingido por ela quem TOMA a vacina; se seu bebê deve mamar por 1 mês, 1 ano ou até os 18 anos e tantas outras decisões.
Sim, são decisões a serem tomadas. Afinal, não há lei que defina esses procedimentos. Há normas passíveis de serem flexibilizadas em todos os casos descritos acima.
Mas a questão dos filhos é uma seara fértil de casos de falta de bom senso.
E o desespero dos pais de recém nascidos pelo fato do fofinho não sair da fábrica com manual?
Esse eu senti na pele e nem por isso ignorei qualquer noção de bom senso que existisse dentro de mim e comprei um desses livros de auto-ajuda para "treinar" bebês, para acalmar minhas inseguranças ou deleguei ao pediatra a função de oráculo das necessidades dos meus filhos.
E além dessas, tantas outras questões passaram a fazer parte das minhas preocupações depois de me tornar mãe.
Hoje em dia eu não apenas tenho que dormir com a ideia de que existem crianças sem pais e morando nas ruas, mas também tenho que ser capaz de explicar para os meus filhos que esses pais não conseguiram receber eles próprios amor suficiente nem mesmo para se manterem vivos e com a cabeça "para fora dágua", quanto mais para criarem filhos.
Tá bem, bastou por um post.
Mas já deu para perceber que nesse blog eu não vou discutir decoração, moda e opções de lazer, certo?
Fez sentido para você?

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